Primeiras reuniões comunitárias realizadas com as irmãs da Igreja, para definir ações de melhorias da população local. Destaque para a Irmã Maria Leite, uma das fundadoras do Idesq.
E nas conquistas por direitos para a população do Parque Santa Maria. E a nossa origem começa pelo Centro Comunitário Santa Maria (CCSM), que nasceu com o objetivo de organizar a comunidade local em busca de seus interesses e da superação da condição de vulnerabilidade social em que vive a grande maioria de seus moradores.
Crianças da comunidade do Parque Santa Maria no pátio da Escola Nossa Senhora das Graças, que ficava ao lado da Igreja
Temos muitas histórias para contar! Nesta linha do tempo, você encontrará nossos principais marcos temporais
Primeiras reuniões comunitárias realizadas com as irmãs da Igreja, para definir ações de melhorias da população local. Destaque para a Irmã Maria Leite, uma das fundadoras do Idesq.
Criação do Centro Comunitário Santa Maria (CCSM), em Fortaleza.
Criação da Escola Nossa Senhora das Graças, que ficou popularmente conhecida como “escolinha”.
Fundação da Creche comunitária Padre Josimo
“A fraternidade e o negro: ouvi o clamor deste povo”. Foi trabalhando este lema da Igreja que surgiram lideranças negras no Santa Maria e que, posteriormente, passaram a criar o MNU Ceará.
Criação da rádio comunitária Oscar Romero
Realização da campanha ‘Educação, faça valer esse direito”, com a criação da Pré-matrícula, junto com Cedeca.
Retorno da Escolinha para atender provisoriamente 232 crianças, enquanto a Prefeitura de Fortaleza construía escolas no bairro.
Saída do Idesq da sede onde iniciou a suas primeiras atividades, após atrito com membros da Igreja.
A Sede da instituição passa a funcionar no mesmo endereço da creche comunitária: Rua Joceno Monteiro, 547, onde está até os dias atuais.
Reestruturação da instituição, com novos objetivos. Surgiram novos nome, logomarca, estatuto, missão.
Idesq passa a trabalhar com Aprendizagem Profissional, executando projetos de formação de Jovens Aprendizes junto ao setor público.
Mudança de estatuto, denominação, logomarca.
Conquista do Prêmio Fundo Itaú de Excelência Social 2013 – FIES.
Criação do Grupo Arte, Saberes e Afetividades.
Processo de captação de empresas para financiamento direto de turmas de jovens aprendizes.
Luta comunitária por uma linha própria de transporte público no bairro do Parque Santa Maria
Registro da marca do Idesq (Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Qualificação Profissional).
Durante a pandemia da Covid, Idesq passa a organizar doações para a comunidade, surgindo o projeto Idesq no Quarteirão. Neste período, a instituição passa a se adaptar ao home office e às aulas de formações virtuais.
Ampliação do projeto de segurança alimentar e nutricional em parceria com o SESC.
Idesq completa 40 anos de existência.
Parceria com o Instituto Assaí no projeto de Fortalecimento Institucional e Mais Escolha.
Idesq passa a fazer a cogestão da Vila Olímpica de Messejana junto ao Governo do Estado.
O Parque Santa Maria, na década de 1950, foi formado com a chegada de muitas famílias do Interior (municípios como Quixadá, Morada Nova, Russas, Canindé, Pacajus e Ibicuitinga), que fugiam da seca e buscavam oportunidades de emprego. Neste período, os moradores contam que a vida no bairro era muito rural, com bastante mata e sem água encanada.
No início da década de 1980 a Igreja Católica e algumas pessoas da comunidade começaram a se movimentar para criar uma igreja no bairro. Uma verba da Alemanha cobriu todos os custos de material e mão-de-obra.
Mas não foi o suficiente para concluir a obra, fazendo com que a população arrecadasse fundos para terminar a Igreja. Além disso, as doações também serviram para construir a casa para receber as Irmãs da Congregação Filhas de Sant’Ana que iriam morar na comunidade, com o objetivo de ampliar as atividades católicas.
Por falta de escolas no bairro, a comunidade e as irmãs organizavam atividades, na década de 1980, com as crianças em locais diversos.
Por falta de escolas no bairro, a comunidade e as irmãs organizavam atividades, na década de 1980, com as crianças em locais diversos.
O padre tinha como finalidade se organizar e reunir a comunidade entorno das próprias demandas, além de trabalhar a conscientização da realidade local. Foi nesta época, inclusive, que a luta por moradia ganhou destaque. Para realizar muitas ações na comunidade, o religioso contava com o apoio financeiro de uma rede de amigos da paróquia de Bozano, cidade da Itália onde padre Luiz nasceu. Com esse apoio, o padre conseguia fortalecer muitos movimentos dentro do Parque Santa Maria, como o movimento negro e a luta pela comunicação popular, com a Radiadora. Todos esses movimentos e todas essas ações realizadas por Padre Luiz, na comunidade, passavam diretamente pelo Centro Comunitário Santa Maria, que ficava colado à Igreja (não havia, inclusive, paredes que separasse Igreja e Centro Comunitário. Era tudo uma só unidade) e que, como já se sabe, foi a primeira organização da comunidade em forma de associação e originou o que atualmente é o IDESQ.
A Irmã Maria Leite teve uma atuação mais forte dentro da comunidade e aqui ganha grande destaque por fazer parte diretamente do início da história do IDESQ. Ela e as demais irmãs faziam parte das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que trabalhavam a conscientização política e social das pessoas, como uma forma de transformação da realidade, por meio da luta pelos direitos dos cidadãos. Foi nesta época, inclusive, que as pastorais sociais surgiram no Parque Santa Maria, buscando meios de melhorar a vida dos moradores.
Tão logo chegou no bairro, a Irmã Maria Leite percebeu que havia uma necessidade enorme por uma educação básica, já que muitas crianças estavam fora da escola e existia somente a Escola Bárbara de Alencar, que aceitava crianças apenas a partir dos 7 anos de idade. Ou seja, eram matriculados apenas alunos que já estavam alfabetizados. A religiosa começou a trabalhar em um projeto de educação e foi chamando diversos jovens para serem professores voluntários. E, dessa forma, ela conseguiu fazer algumas turmas de alunos. Neste início, as aulas aconteciam em locais improvisados, como garagens vazias ou em baixo de alguma mangueira.
Nesta época, as reuniões eram realizadas pelas irmãs com pequenos grupos comunitários. Dos encontros, começaram a surgir uma agenda de ações e atividades a serem realizadas, que beneficiariam a população. Logo se formou o Conselho Comunitário e, em 1983, foi oficialmente formalizado a fundação do Centro Comunitário Santa Maria (CCSM).
Em 1986, a Irmã Maria teve a ideia de construir uma escola no bairro e, outra vez, a população voltou a arrecadar fundos para levantar a unidade de ensino. Por pedir doações aos depósitos, foi nesta época que ela ficou conhecida como Ïrmã Pidona. Nesse período, ficou fortalecida, mais uma vez, a união da população local, ao se empenhar juntos para a construção do prédio. As mulheres carregavam os materiais e revezavam para ajudar os pedreiros, que também eram da comunidade e trabalhavam voluntariamente.
Uma vez levantada a estrutura, que tinha quatro salas, a cozinha, dois banheiros e um alpendre pequeno e, posteriormente, um salão, o Centro Comunitário começou a se mobilizar para conseguir materiais necessários ao funcionamento da escola, como os móveis. A escolinha também contava com o voluntariado das pessoas que começaram a trabalhar no local, para que as salas de aula funcionassem.
E assim nasceu a Escola Nossa Senhora das Graças.
A Arquidiocese de Fortaleza passa a ter direção de Dom Aloísio Lorscheider, um dos bispos brasileiros mais conhecidos mundialmente, por sua atuação em prol dos direitos humanos. Com a chegada do cardeal, as práticas sociais da igreja na capital cearense foram fortalecidas, bem como as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) e as Pastorais Sociais.
Diante deste contexto, chega ao Parque Santa Maria, em 1987, um padre italiano que estava servindo, até então, em São Paulo. Padre Luiz Fonasier trouxe um trabalho social dentro da evangelização da igreja e teve, por exemplo, uma grande contribuição na formação de muitas pessoas do local.
Primeira Eucaristia de jovens da comunidade com o Padre Luiz Fonasier
O padre tinha como finalidade se organizar e reunir a comunidade entorno das próprias demandas, além de trabalhar a conscientização da realidade local. Foi nesta época, inclusive, que a luta por moradia ganhou destaque. Para realizar muitas ações na comunidade, o religioso contava com o apoio financeiro de uma rede de amigos da paróquia de Bozano, cidade da Itália onde padre Luiz nasceu. Com esse apoio, o padre conseguia fortalecer muitos movimentos dentro do Parque Santa Maria, como o movimento negro e a luta pela comunicação popular, com a Radiadora. Todos esses movimentos e todas essas ações realizadas por Padre Luiz, na comunidade, passavam diretamente pelo Centro Comunitário Santa Maria, que ficava colado à Igreja (não havia, inclusive, paredes que separasse Igreja e Centro Comunitário. Era tudo uma só unidade) e que, como já se sabe, foi a primeira organização da comunidade em forma de associação e originou o que atualmente é o IDESQ.
Em 1987, foi fundada a Creche Comunitária do Santa Maria. Na Ata de Reunião do dia 30 de março de 1988, houve o registro de 48 moradores participantes do encontro, que tinha como discussão principal a construção da Creche Comunitária: a Pastoral da Criança e a comunidade direcionariam os trabalhos da Creche e o Estado compraria o terreno. Para o funcionamento da Creche, era necessário um convênio com a FEBEMCE 1. Durante os encontros da comunidade, alguns critérios foram definidos sobre o público que seria atendido: crianças cujas mães estavam trabalhando fora de casa e que ganhavam até um salário mínimo e filhos pequenos de mães com subempregos teriam prioridades.
Em abril de 1988, por meio de votação dos moradores, foi escolhido, por unanimidade, o nome Creche Comunitária Padre Josimo. Em setembro do mesmo ano, a Creche foi inaugurada com a presença das crianças, dos pais e de convidados, como a primeira-dama do Estado, Renata Jereissati, e a Assistente Social da época da FEBEMCE. Em paralelo às atividades desenvolvidas na área dos direitos básicos, o Centro Comunitário Santa Maria também realizava ações na área do lazer: teatros, serestas, apresentações de poesia, etc. Em janeiro de 1996, mais uma vez as ações do CCSM se voltaram principalmente para a área da educação: com a presença dos representantes do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDECA), os moradores reivindicaram a carência de escolas no bairro e a falta de vagas nas escolas de rede pública que já existiam.
Como alternativa a essa questão, o CCSM propôs à Secretária de Educação do Município que fosse reativada a Escola Comunitária Nossa
Senhora das Graças, que estava parada por falta de recursos e voltaria a funcionar caso fosse feito um convênio de cogestão com a prefeitura para a
manutenção da Escolinha. Por meio de uma parceria entre o Estado e o CCSM, a Escola Comunitária foi reaberta.
O ano de 1997 foi um período difícil para o CCSM, que não conseguiu colocar seus projetos e suas lutas para frente. A instituição entrou em atrito com os membros da Igreja Católica e foi convidada a se retirar da sede onde deu início a suas primeiras atividades. Apenas a Creche Comunitária Padre Josimo se manteve de pé e de forma precária. Em 1998, o Idesq, ainda chamado de Centro Comunitário Santa Maria, mudou de endereço e passou a funcionar no mesmo local que a Creche, na
Rua Joceno Monteiro, n° 547. Desde que foi fundado, o Idesq se adaptou às necessidades comunitárias em cada momento histórico, sempre se norteando na busca pela melhoria de vida das comunidades locais. A luta da Instituição pela educação, pelas linhas de ônibus e por outros direitos básicos é concreta e reconhecida localmente. Nos anos 2000, então, o Idesq mudaria para melhor atender ao bairro Parque Santa Maria e seus vizinhos. Para isso, a instituição passou por transformações e começou a atuar principalmente na área de qualificação profissional.